O uso do WhatsApp na Medicina e sua melhor prática para o médico

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O uso do WhatsApp na Medicina e sua melhor prática para o médico

A tecnologia aplicada às comunicações é um avanço inegável e irrepreensível da atualidade, sendo um novo baluarte da nossa sociedade. O Facebook, o WhatsApp, o Instagram e tantos outros são partes do nosso cotidiano pessoal e profissional. Entretanto, certas profissões requerem um zelo maior para com o uso desta tecnologia.

Em relação a este aspecto, na esfera da Medicina o caso que chamou a atenção de todos foi o da ex-primeira dama Marisa Letícia, que teve seu exame vazado em grupos de WhatsApp. Tal situação teve por consequência a demissão dos médicos responsáveis.

No contexto da Medicina os novos métodos e recursos tecnológicos trazem benefícios incontestáveis para o profissional e para o seu paciente. Afinal, por que não usar da tecnologia para debater e compreender melhor o caso de um paciente? O ponto de destaque nessa discussão relaciona-se com o cerne da Medicina: o sigilo médico.Trata-se de um atributo tão importante que o Conselho Federal de Medicina (CFM) adotou um Capítulo inteiro no Código de Ética Médica, com o intuito de resguardá-lo.

Observando esta dicotomia entre os avanços tecnológicos e a importância do sigilo médico, o CFM emitiu o Parecer 14/2017, do dia 27 de abril de 2017. Nele é permitida a utilização de plataformas virtuais para a comunicação entre médicos e seus pacientes, bem como entre os médicos entre si para enviar dados ou tirar dúvidas com colegas. Os diálogos são possíveis também em grupos fechados de especialistas ou do corpo clínico de uma instituição ou cátedra.

O essencial é que todas as informações passadas tenham absoluto caráter confidencial e não podem extrapolar os limites do próprio grupo. Logo, essas informações não podem circular em grupos recreativos, mesmo que esse grupo seja composto somente por médicos. Também ficou decidido que os médicos não podem fazer referências a casos clínicos identificáveis, exibir pacientes ou seus retratos, mesmo com a autorização do paciente.

Vale lembrar que, segundo o CFM, os profissionais médicos que participam desses grupos são pessoalmente responsáveis pelas informações, opiniões, palavras e mídias que disponibilizem em suas discussões. No que tange às consultas, é explicitamente vedada a substituição das consultas presenciais e aquelas para complementação diagnóstica ou evolutiva a critério do médico por quaisquer plataformas existentes ou que venham a existir, ainda que envolva dispositivo de vídeo.

No final das contas, todos somos responsáveis com relação ao que colocamos nas nossas redes e o que compartilhamos, portanto, é muito importante o bom senso quando você for teclar sobre um paciente. Compartilhe com consciência.

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Dra. Thaís Maia

Advogada, Mestre em Bioética (UnB), sócia proprietária do escritório Maia & Munhoz Consultoria e Advocacia.

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Dra. Luciana Munhoz

Advogada, Mestre em Bioética (UnB), sócia proprietária do escritório Maia & Munhoz Consultoria e Advocacia.

 

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