Novas gerações de médicos e médicas: protagonistas ou coadjuvantes?

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Novas gerações de médicos e médicas: protagonistas ou coadjuvantes?

Para muito além da configuração atual política partidária presente ao redor do mundo, tanto bipartidarismos como multipartidarismos existentes nos Estados Unidos e no Brasil, por exemplo, indicam que há características fundamentais de que o homem e a mulher são seres socialmente políticos em sua essência.

Segundo Aristóteles “o homem é um ser que necessita de coisas e dos outros, sendo por isso, um ser carente e imperfeito, buscando a comunidade para alcançar a completude. E a partir disso, ele deduz que o homem é naturalmente político”. A ideia deste autor clássico grego não se limita ao período antigo, uma vez que ela constrói bases para uma discussão ainda contemporânea: o homem é um ser político.

Autores recentes desenvolvem e aprofundam o debate sobre o tema. Hannah Arendt, filósofa alemã do século XX, aponta para ideias fundadoras da política, na qual esta “baseia-se na pluralidade dos homens”. Esta pluralidade de interesses e identidades dos homens não enfraquece a política; ao contrário: “política trata da convivência entre os diferentes”. A autora discute em seu livro “O que é política” quais são os objetivos da política. Citando-a novamente, temos que “o objetivo da política é a garantia da vida no sentido mais amplo”, sendo, portanto, fundamental ao homem e à mulher enquanto humanos.

Numa sociedade em franco e intenso desenvolvimento como a brasileira, ainda que contando com desafios estruturais, sociais e econômicos em sua pauta diária, nos defrontamos com a reflexão sobre a ética. Esta é representada pela parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo especialmente a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social.

Se as pessoas não experimentam o debate, mas são nutridas apenas pelo embate não embasado, estas não conseguirão construir referências, conhecimento e uma nova perspectiva de reflexão sobre as situações da qual estão inseridas. Assim sendo, a atuação social e cidadã se torna cada vez mais rara e ineficiente.

O âmbito profissional não é diferente. As variáveis dos tempos modernos, como a inserção da tecnologia da informação permeando e “rastreando” comportamentos, atitudes e posicionamentos, trazem um senso nebuloso de dados e fatos que em muito não bastam para construir conceitos claros e construtivos. É de fundamental importância estabelecer espaços como fóruns e encontros para construir conversas, trocas de experiências e networking.

A Associação Paulista de Medicina fundada  há 86 anos, fez e faz história. Atravessando fases da ditadura, regime militar, abertura democrática, reformulação constitucional, eleições diretas e toda sorte de variações sociais e econômicas ocorridas em oito décadas. Porém o debate continua fazendo parte da missão fundamental.

Buscar a identificação e o entendimento das principais necessidades na vida profissional do médico, motivam e direcionam esta entidade na extensão deste debate e na ação junto a instituições públicas e privadas.

Quer alguns exemplos? 

Conquistamos reajustes médios de 46% sobre a tabela de consultas médicas de mais de 20 operadoras de saúde durante o período de 2012 a 2016.

Outro exemplo:  Conseguimos aprovar o enquadramento da alíquota de impostos do Simples Nacional para 6%, estando anteriormente inseridos na cobrança na faixa de 16,93% a 22,45%.

As novas gerações de médicos e médicas precisam fazer parte desta construção e ocupar efetivamente o papel de interlocutores, não se restringindo apenas a observadores, ouvintes e internautas.

Com a formação da Comissão de Médicos Jovens, a APM tem implementado ações de relacionamento, fórum de debates e experiências diferenciadas para atrair ainda mais ações práticas para o desenvolvimento do homem enquanto um ser político ativo e atuante na nossa sociedade atual.

Convido a todos os médicos e médicas, especialmente às novas gerações, que se integrem a Associação Paulista de Medicina e ocupem o papel que lhes cabem na nossa História.

Jorge Corrêa de Assumpção Neto
Gerente de Marketing da Associação Paulista de Medicina e consultor na área da saúde há 15 anos

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